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Centro de Solos e Recursos Ambientais


Histórico

 

Franz Wilhelm Dafert, discípulo de Justus von Liebig e primeiro diretor do Instituto Agronômico, focou os estudos da cafeicultura na “lei do mínimo”, viabilizando a produção no mesmo local: demonstrou a necessidade da análise de solo, definindo os elementos limitantes à produção, incentivou o uso de adubos orgânicos, visto que, somente em 1895, Luiz Pereira Barreto realizou a primeira importação de fertilizantes químicos.  Assim, mesmo criado para desenvolver pesquisas com o cafeeiro, o IAC sempre manteve, desde sua fundação em 1887, um grupo dinâmico na área de solos, que fez com que o IAC fosse a primeira instituição de pesquisa a realizar análise de solo e planta no Brasil, ainda no século passado que conseguiu obter, já em 1904, a Medalha de Prata por Análise de Solo na Exposição Universal de S. Louis, nos Estados Unidos.  Como Centro, a área de Solos e Recursos Ambientais do IAC foi organizada em 1998 pela união das Seções de Conservação do Solo, de Fertilidade do Solo, de Microbiologia do Solo, de Pedologia e de Fotointerpretação.

 


A atualidade

As atuais áreas de atuação do Centro de Solos e Recursos Ambientais do IAC são:
(a) Biodiversidade e manejo da microbiota e fauna do solo,
(b) Inventário e mapeamento de solos e recursos agroambientais,
(c) Qualidade do ambiente agrícola e
(d) Sistemas integrados de nutrição de plantas. 
Entre os destaques da atuação do Centro de Solos temos:
(a) Pós-Graduação: formação de recursos humanos qualificados em gestão de recursos agroambientais,
(b) Laboratórios de Fertilidade do Solo (coordenador do programa interlaboratorial de análises de solos e substratos), de Análises de Resíduos e o de Análises Físicas de Solos e Sedimentos, todos com certificação pela ISO 17025:2005, conferida pelo INMETRO,
(c) Participação na coordenação do BIOEN da FAPESP,
(d) Agricultura de precisão,
(e) Indicadores de Qualidade do Solo.


O futuro

Ainda que em número insuficiente, o Centro de Solos tem pessoal qualificado para prospectar demandas por inovações para o setor agrícola, bem como programar a pesquisa em consonância com as necessidades da sociedade.  As ações inovadoras do Centro serão pautadas pelos desafios da Ciência do Solo.
Ação do Centro de Solos no tema Sustentabilidade.  Uma das bases da sustentabilidade do agronegócio é o uso adequado do solo e a pesquisa do Centro de Solos enfatiza o uso adequado do solo, a preservação ambiental, ressaltando as funções de produção e ecológicas do solo (ciclo da água, receptor e “digestor” de efluentes líquidos e resíduos sólidos etc.).  Das ações visando conhecer o solo até o estabelecimento de práticas de manejo, a sustentabilidade dos sistemas de produção é seu maior mote.  O estabelecimento de índices de qualidade do solo que, ao mesmo tempo, sejam simples e relevantes, é um dos desafios do Centro.  Esta busca já foi iniciada pela equipe do Centro, entretanto sua plena consecução ainda depende de muito trabalho.

Ação do Centro de Solos nesses temas: Diversificação.  Qualquer ação visando à diversificação de atividades do agronegócio deve respeitar a aptidão agrícola dos solos onde será desenvolvida.  Nesse ponto, a contribuição do Centro de Solos, especialmente das áreas envolvidas na avaliação do potencial edáfico, é fundamental para o sucesso das atividades.  Especificamente na diversificação de cultivos, o Centro de Solos pode contribuir com o estabelecimento de práticas de manejo do solo sustentáveis.  Destacam-se nesse aspecto, as pesquisas com rotação de culturas, sistemas conservacionistas, manejo sustentável da fertilidade, entre outras.
Um grande desafio é trabalhar o conceito de Fertilidade Sustentável do Solo, que seria a junção da física, química e microbiologia do solo.  Não podemos ignorar a agricultura orgânica que é um nicho de mercado que está crescendo no Estado e que precisa de muita pesquisa, pois embora pareça inofensiva, essa agricultura realizada sem critérios devidamente estabelecidos por estudos científicos, como é feita hoje, poderá ocasionar problemas ambientais tanto quanto a agricultura convencional.

Desafios da Ciência do Solo para o Centro de Solos até 2020.
(a) Ajustar os fatores edáficos para a otimização dos sistemas de produção de modo sustentável, bem como encontrar parâmetros edáficos pertinentes na avaliação dessas áreas.
25% à história e resultados, 50% sobre o que está acontecendo no Centro e 25% restantes para perspectivas e idéias de futuro
(b) Aumentar a capacidade do solo para reter carbono e poluentes.  E, simultaneamente, aumentar o conhecimento de processos para sua descontaminação.  O Centro de Solos tem o papel principal na pesquisa de produção agrícola de baixo carbono.  Deveremos ter projetos de destaque nesse contexto e, para tanto, deveremos ampliar as pesquisas sobre práticas de manejo de solo que busquem seqüestrar carbono e diminuir a produção de outros gases de efeito estufa como óxido nitroso e metano.  Nosso foco deve ser a cana-de-açúcar, pois faltam dados sobre a produção de gases de efeito estufa em condições tropicais e seqüestro de carbono, conforme as praticas de manejo.  O manejo da fertilidade do solo deve buscar enfocar também maior eficiência de uso de nutrientes, também buscando avaliar a redução da emissão de CO2 na produção agrícola.  Já temos projetos em quase todas essas áreas, faltando, entretanto um grande projeto com cana-de-açúcar e com enfoque na redução de produção de gás carbônico via oxidação da matéria orgânica.
(c) Procurar indicadores de qualidade do solo, simples e relevantes.
(d) Avaliar a metodologia de conservação do solo e da água em bacias hidrográficas de acordo com as perspectivas dos usuários da terra.
(e) Identificar dados edáficos relevantes para serem incorporados em tais sistemas.  A meta é ter pelo menos 50% da área agrícola mais importante com solos em mapeamento detalhado e digitalizado.
(f) Gerar conhecimento e tecnologia, empregando processos e instrumentos de pesquisa modernos que permitam manejar o solo de forma sustentável.

(g) Treinar diferentes públicos prestadores de serviços sociais sobre o manejo e conservação do solo e de outras reservas naturais.