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Programa Seringueira


A Importância da Borracha Natural

A seringueira [Hevea brasiliensis (Willd. ex Adr. de Juss.) Muell-Arg.] é a maior fonte de borracha natural, utilizada no transporte, indústria e material bélico. Atualmente existem no mercado global mais de 40 mil artigos no geral constituídos de borracha natural, sendo que são necessários cerca de 600 kg para um aeroplano e 68 toneladas por um navio de guerra. Além disso, a borracha natural é matéria-prima estratégica para aproximadamente 400 dispositivos médicos.
Única entre os produtos naturais, a borracha natural devido a sua estrutura molecular e alto peso molecular (> 1 milhão de daltons) é possuidora de resiliência, elasticidade, plasticidade, resistência ao desgaste e ao impacto, propriedades isolantes de eletricidade, e impermeabilidade para líquidos e gases que não podem ser obtidas em polímeros artificiais. A borracha natural é obtida das partículas contidas no látex, fluído citoplasmático extraído continuamente dos vasos laticíferos situados na casca das árvores por meio de cortes sucessivos de finas fatias de casca, processo denominado de sangria.


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Figura 1. Produção e consumo global de borracha natural em milhões de toneladas – ano 2012.


A borracha sintética obtida do petróleo possui quase a mesma composição química da borracha natural, porém suas propriedades físicas são viáveis para alguns manufaturados, porém são inferiores para luvas cirúrgicas, preservativos, pneus de automóveis, caminhões, aviões e revestimentos diversos.
A espécie H. brasiliensis é a espécie cultivada mais importante do ponto de vista comercial. A produção mundial de borracha natural em 2012 foi de 11.327 mil toneladas, para um consumo de 11.005 mil t. do qual mais de 7.390,5 mil toneladas é originária do Sudeste Asiático, envolvendo países como a Tailândia (31,00%), Indonésia (26,61%), Malásia (7,63%), Índia (8,11%) e Vietnã (7,60%). Em 2012, a Tailândia produziu 3.511,70 mil toneladas, Indonésia 3.014,80mil t. e Malásia 864 mil t.  No mesmo ano, o Brasil produziu 171,5 mil t., cerca de 1,51% da produção mundial (Figura 1).
Os maiores consumidores de borracha natural em 2011 foram a China (32,98%), seguido pelos países da Comunidade Européia (11,13%), Estados Unidos (9,42%) e Japão (7,00%). Em termos globais o Sudeste Asiático produziu, no mesmo ano 8.577 mil toneladas o que corresponde 78,17% da produção mundial, enquanto que a Ásia e Oceania consumiram 60,53% (6.613 mil t.) da borracha natural.
A indústria de pneumáticos consome quase três quartos da borracha produzida no mundo. As três maiores marcas de pneus (Michelin, Bridgestone e Goodyear) consomem com 55,00% da produção mundial de pneus. As demais como a Continental, Sumitomo-Dunlop e Pirelli produzem em torno de 20,00% do total de 75,00% de borracha natural.



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Figura 2. Zoneamento agroclimático da seringueira no Brasil


O Brasil, berço do gênero Hevea, continua sendo um país importador de borracha natural. Para um país que possui em relação aos demais países produtores, área incomparavelmente maior, apta para o plantio de seringueira (Figura 2), o déficit de produção significa, no mínimo, descaso para um produto estratégico de tão alto valor econômico-social. Segundo estimativas do International Rubber Study Group (IRSG, 2013), em 2012, para um consumo de 343,40 mil toneladas, foram importadas 215 mil toneladas de borracha natural. Nesse mesmo ano, o Brasil atingiu a produção recorde de 172 mil toneladas (Figura 3).

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Figura 3. Produção, consumo e importação de borracha natural no Brasil período de 1995 à 2012.

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Figura 4. Consumo e produção da borracha natural no Brasil.


No Brasil a oferta e a demanda encontram-se distanciadas desde meados do século passado.  As curvas de produção e consumo encontram-se cada vez mais distantes (Figura 4).  De acordo, com a Borracha Natural Brasileira em 2020 o Brasil poderá estar produzindo 250 mil toneladas diante de um consumo potencial de 500 mil toneladas.  A desigualdade só poderá ser resolvida pela substituição de borracha dos seringais por borracha sintética.  É óbvio, que num cenário de escassez com a tendência seria a valorização do produto natural.

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Figura 5. Principais Estados brasileiros produtores de borracha natural, ano de 2012.


Do total de borracha natural produzida no Brasil os seringais paulistas participaram com 54% da borracha produzida no país (Figura 5), evidenciando a crescente importância no suprimento de borracha para a indústria nacional, conferindo ao Estado de São Paulo a condição de primeiro produtor de borracha natural do Brasil (Figura 6). Particularizando as áreas de escape, só o Estado de São Paulo possui 14 milhões de hectares aptos a heveicultura (Figura 7).

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Figura 6. Principais Estados brasileiros produtores de borracha natural, ano de 2011.

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Figura 7. Zoneamento agroclimático da seringueira no Estado de São Paulo – 14 milhões de hectares aptos à heveicultura.

 


Os seringais paulistas são os mais produtivos do Brasil, com produtividade média superior a 1.300 kg ha-1 ano-1, sendo que, nas áreas em que há maior conhecimento tecnológico a produtividade é superior a 1.500 kg ha-1 ano-1. Esta produtividade média coloca o Estado de São Paulo entre os mais produtivos do mundo quando comparado com as médias dos tradicionais países produtores: Tailândia 1.250 kg ha-1 ano-1, Indonésia 1100 kg ha-1 ano-1 e Malásia 1000 kg ha-1 ano-1. Estes três países juntos contribuem com mais de 65,00% da produção mundial, e 61,34% desta produção é originária de propriedades familiar pequenas.
Sob o ponto de vista ambiental, também, é importante considerar o impacto positivo de uma plantação de seringueira. Após a implantação, um seringal constitui um sistema estável apresentando características de floresta tropical. Além disso, a borracha natural necessita de pouca energia para a sua produção e as árvores contribuem na fixação de CO2, contribuindo para minimizar os problemas com o aumento do efeito estufa.


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Figura 8. Distribuição dos seringais por região no Estado de São Paulo

Em 1997 o Estado de São Paulo contava com 40.127 hectares de seringueira plantados distribuídos em vários municípios da região Noroeste do Estado. Estima-se cerca de 80.000 hectares com seringueira até 2007, abrangendo cerca de 2.700 heveicultores, ou seja, uma média de 28,00 ha por propriedade.  Das regiões que se destacam na heveicultura,  as mais conhecidas: São José do Rio Preto, Barretos, General Salgado, Catanduva, Tupã, Votuporanga, todas situadas no Planalto Ocidental do Estado englobando 90% da área plantada do Estado e onde se situa a região mais importante do cultivo, com 45% da área com seringueira, despontando um grande potencial de cultivo, notadamente pelas condições climáticas que minimizam o risco de insucesso (Figura 8).

 



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